domingo, 2 de janeiro de 2011

A dificil arte de fazer caridade

Nesta semana viví uma experiência complicada tentando fazer caridade. Como há mais de vinte anos eu trabalho com um bazar aqui na paróquia, as pessoas me encaminham doações para ele; temos também uma creche que tem bazar para reforçar o caixa que é sempre magro, e nós costumamos dividir doações quando são em grande volume. E eis o que aconteceu o que aconteceu: a gerente da creche me pediu para receber parte de uma doação que ela não tinha onde colocar e eu aceitei, sem saber que se tratava de uma ambulancia abarrotada até o teto com sacos de roupa e calçados usados. Como ja estava aqui, eu deixei colocar na varanda de casa e destinar para outra entidade porque no meu bazar também não cabe. No dia seguinte liguei para a defesa civil que me informou que não recolhe doações e que eu ligasse pra cruz vermelha que me deu a mesma resposta; aí me dei conta que estava numa sinuca, ja que a AMAS,da prefeitura, deixou de recolher há muito tempo. Então como é que fica a coisa: enchentes castigando pra todo lado; pessoas precisando receber donativos e os orgãos responsáveis se recusando a recolhe-los e o que é pior: a ambulãncia que os trouxe veio do hospital da Baleia, que fica numa região rodeada de favelas com uma população muito pobre, que poderia ter sido beneficiada com essas doações. Eu estou sem entender até agora o porque de mandarem para um bairro distante 30 km, o que poderia ter sido distribuido por uma paróquia nas proximidades do hospital. Pra concluir: tive que gastar trinta reais com carreto pra dosocupar minha varanda e recorrer a amigos que, aos poucos vão encamihar estas doações para pessoas pobres nas roças próximas de BH ou qualquer lugar onde possam levar por conta própia. É o cidadão fazendo o papel do estado. Até mais.