sexta-feira, 13 de maio de 2011

memórias

No dia dois deste mês, depois de nove meses lutando contra um cancer, morreu a minha irmã Fátima; tinha apenas 57 anos de idade e planos para uma vida longa. Eu que sou dez anos mais velha que ela, posso dizer que ajudei a cria-la, porque nossa mãe teve tantos filhos ,que os maiores ajudavam a cuidar dos menores e ela foi bem trabalhosa. Aos sete meses contraiu gastroenrite, hoje chamamos de rotavirus,ficando doente durante vários meses; mamãe tentava de tudo para cura-la, inclusive simpatias e numa delas era preciso levar a criança doente sete sextas feira na casa de sete pessoas e pedir uma colher de comida feita no dia; só valia comida nova. E la ia eu carregando Fátima nos braços bateer na porta das pessoas préviamente combinadas pedir a comida; até a quarta ou quinta casa ia bem, mas pra completar as sete era uma briga,ela cuspia, esperneava e eu ficava apertada porque se não comesse de todas,anularia o resultado.A partir da quarta semana, inventei um truque que deu certo: mudei a ordem das casas percorridas , ela ficava meio confusa e acabava comendo. Hoje eu sei que isto é apenas supertição,mas na época a vontade de vê-la curada era tamanha, que acabou dando certo.Afinal Deus ama e protege os simples e puros de coração. Depois conto outras passagens.Até mais.

domingo, 2 de janeiro de 2011

A dificil arte de fazer caridade

Nesta semana viví uma experiência complicada tentando fazer caridade. Como há mais de vinte anos eu trabalho com um bazar aqui na paróquia, as pessoas me encaminham doações para ele; temos também uma creche que tem bazar para reforçar o caixa que é sempre magro, e nós costumamos dividir doações quando são em grande volume. E eis o que aconteceu o que aconteceu: a gerente da creche me pediu para receber parte de uma doação que ela não tinha onde colocar e eu aceitei, sem saber que se tratava de uma ambulancia abarrotada até o teto com sacos de roupa e calçados usados. Como ja estava aqui, eu deixei colocar na varanda de casa e destinar para outra entidade porque no meu bazar também não cabe. No dia seguinte liguei para a defesa civil que me informou que não recolhe doações e que eu ligasse pra cruz vermelha que me deu a mesma resposta; aí me dei conta que estava numa sinuca, ja que a AMAS,da prefeitura, deixou de recolher há muito tempo. Então como é que fica a coisa: enchentes castigando pra todo lado; pessoas precisando receber donativos e os orgãos responsáveis se recusando a recolhe-los e o que é pior: a ambulãncia que os trouxe veio do hospital da Baleia, que fica numa região rodeada de favelas com uma população muito pobre, que poderia ter sido beneficiada com essas doações. Eu estou sem entender até agora o porque de mandarem para um bairro distante 30 km, o que poderia ter sido distribuido por uma paróquia nas proximidades do hospital. Pra concluir: tive que gastar trinta reais com carreto pra dosocupar minha varanda e recorrer a amigos que, aos poucos vão encamihar estas doações para pessoas pobres nas roças próximas de BH ou qualquer lugar onde possam levar por conta própia. É o cidadão fazendo o papel do estado. Até mais.